sábado, 25 de abril de 2015

Trecho de Darcy Azambuda - Para pensarmos o Estado

"Os homens, em sua imensa maioria, erram e se enganam muito mais do que seria razoável, tal a sua teimosia, sua imprevidência e sua ignorância. No círculo limitado de seus interesses, com raríssimas exceções mostram-se ineptos. Não sabem educar os filhos, nem dirigir a família, nem gerir seus negócios, nem escolher a profissão que melhor lhes ficaria. Perdem dinheiro e tempo, envenenam-se de mil modos, cometem desatinos que lhes custam o sossego, os bens, a honra e até a vida. Não são felizes, nem sabem onde está a felicidade.

Mas têm uma crença irracional em que alguns homens, que nem mesmo conhecem, poderão, dirigindo o Estado, educar-lhes os filhos, dirigir-lhes a família, orientar-lhes os negócios e fazê-los felizes. E, quanto maior é a incapacidade demonstrada pelos governantes para fazer bem o que lhes exigem, maior é o número de coisas que lhes entregam para fazer.

Situação paradoxal, pois que, além de tudo, a maioria dos homens, e nem sempre com razão, considera os governantes, os políticos, como indivíduos de pouco caráter, escasso bom senso, duvidosa capacidade. Quando podem os depõem e os substituem por outros iguais; quando não podem depô-los, os difamam, desprezam e desprestigiam” (AZAMBUJA, Darcy. Introdução à ciência política. 2 ed. São Paulo: Globo, 2008, p. 157)

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