Discursar sobre o filósofo Platão (427-347 a.C) é tarefa
fundamental no estudo da Ciência Política.
Dois fatos influenciaram muito a vida de Platão: Seu
encontro com Sócrates, com aproximadamente vinte anos, e a condenação do seu
Mestre, nove anos mais tarde, no fatídico processo que levou Sócrates à morte.
Para Platão existia a realidade inteligível ou mundo das
ideias (imutável e igual a si mesma) e a realidade sensível ou mundo empírico
(coisas que afetam os sentidos do homem, troando-se realidades mutáveis e
dependentes que expressam imagens das realidades inteligíveis). Essa concepção
é conhecida por teoria das ideias ou teoria das formas.
Assim, o mundo concreto (empírico)é apenas uma pálida
manifestação do mundo das ideias.
Platão entendia o ser humano em sua divisão "corpo e
alma". O corpo seria a matéria e a alma seria o imaterial e o divino
incorporados no ser humano. As verdades essenciais estariam na alma (que nunca
mudaria), mas seriam esquecidas com o nascimento do corpo.
O mundo das ideias, portanto, seria imutável. Por isso,
enaltece a busca para descobrir as verdades essenciais das coisas. Esse
caminho, dizia, erá bastante árduo e metódico. Afinal, no mundo material, o
homem poderia ter apenas a doxa (opinião) e a téchne (técnica). Somente no mundo das ideias
poderia ter a épisthéme (conhecimento verdadeiro ou
conhecimento filosófico).
Portanto, tendo em vista que apenas os filósofos detinham
esse conhecimento, Platão assevera que apenas os filósofos poderiam ser reis.
Nessa toada excelentes são as lições de Pedro Sabino de
Farias Neto[1]:
"Platão realçou a educação como o princípio essencial do sistema
político, no âmbito dos governantes e dos governados. A educação e a cultura
seriam fatores primordiais para a edificação dos espaços públicos, de modo que
a política e as leis ficariam condicionadas pela realidade expressa nos ideais
e de felicidade humana. Nesse sentido, ele fundou a Academia que resultou em
modelo referencial de todas as escolas filosóficas do ocidente. Desse modo,
Platão pretendia preparar a transformação da nefasta vida política de seu tempo
através da formação intelectual dos dirigentes do Estado e da sociedade"
Ainda citando as lições de Farias Neto, importante
se faz ressaltar a preocupação de Platão com um goveno de pessoas capazes:[2]
A política degenerada redunda
contrária à natureza, decaindo em forma de realização do egoísmo dos
governantes, meio de açambarcação do que é público, instrumento de
enriquecimento pessoal à custa da verba pública, forma de espoliação de uma
maioria em benefício de uma minoria. A política passa, assim, a ter função primordial
de iniquidades e de satisfação de interesses pessoais, desvirtuando a sua
devida finalidade. Essa degeneração fica atestada quando o governo conduz a
coisa pública em favor dos próprios governantes, que agem segundo suas paixões.
Desse modo, onde pessoas são governadas por pessoas prisioneiras de suas
paixões, a política degringola no desgoverno. Em razão disso, o Estado deve ser
governado por pessoas capazes, em tudo, de imitar os Deuses.”
Para trazer um pouco
das ideias de Platão, colaciona-se esquema encontrado na obra “O livro da
Política”:[3]
A função dos
governantes é assegurar que o povo leve a uma vida digna -----Saber o que é a “vida
digna” exige habilidade intelectual e conhecimento da ética e da moralidade
-------Apenas filósofos têm habilidade e conhecimento---------O poder político
deve ser dado apenas aos filósofos -----Até que os filósofos sejam reis, as
cidades jamais estarão a salvo dos seus males.
Convém ressaltar que o
ponto de vista de Platão é idealista e moral. Nesse sentido, eis os dizeres de
Reinaldo Dias[4]:
A obra mais importante de Platão é
A República. Neste livro, tenta estabelecer uma concepção filosófica de justiça
e, neste caminho, defende a organização de um Estado ideal, no qual prevaleça a
justiça. O ponto de vista de Platão é, antes de tudo, moral e idealista. Platão
refuta, em primeiro lugar, a tese dos sofistas de que o direito nasce da força,
e coloca que o homem injusto não é feliz. Estuda a natureza do Estado, o qual
considera como uma individualidade suprema, traçando a analogia que existe entre
os ideiais políticos e individuais. Embora sustente a teoria de que não pode
conceber-se o Estado fora dos indivíduos que o integram, cria uma ideia
abstrata do Estado e o dota de existência própria, mais real que os próprios
indivíduos que a compõem.
Ainda nos dizeres de
Reinaldo Dias, reitera-se a preocupação de Platão com a escolha de um grupo
seleto para a política[5]:
(...) Sua preocupação central está
na classe governante, comporta por homens seletos de idade madura. Esta classe
se educa seguindo determinado sistema de ensino; não tem família, nem
interesses materiais; tem uma vida comum, estuda filosofia e tem sob sua responsabilidade
as tarefas do governo.
Para assegurar a unidade orgânica
do Estado, Platão propõe a abolição da propriedade privada e dos laços
familiares. Fica sob responsabilidade do Estado a seleção dos progenitores, com
o objetivo de assegurar uma boa descendência; e também sob seus cuidados a
educação física e intelectual dos jovens. A educação, vigiada pelos
magistrados, capacitaria cada indivíduo para uma função especial, escolhendo-se
um conjunto seleto para integrar o grupo dos filósofos e governantes.”
Com o intuito de
elucidar as ideias de Platão, eis algumas de suas importantes frases:
“A democracia vira despotismo”
“E o maior castigo consiste em ser
governado por alguém ainda pior do que nós, quando não queremos ser nós a
governar”
“Democracia...é cheia de variedade
e desordem, dando igualdade para iguais e para os desiguais da mesma forma”
As principais obras
políticas de Platão são: A República, O Político e as leis.
Em que pese a visão de
alguns pensadores, no sentido de que suas ideias seriam autoritárias e
elitistas (ideais hoje em dia reavaliadas), a importância de Platão na Ciência
Política é inegável.
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