Caríssimos,
Esse blog possui um conteúdo acadêmico. Geralmente, não emito opiniões sobre a política do cotidiano por diversas razões (inclusive, leciono para pessoas ligadas à política das mais diferentes tendências).
Não obstante, cansado de ler matérias carregadas de profundo teor ideológico, teço alguns comentários.
Há um ideia disseminada de que, a partir de hoje, os 5.570 municípios brasileiros serão impregnados pelo espírito da ética. Prefeitos e câmaras municipais, profundamente inspirados, farão um novo Brasil. O mesmo dar-se-á com os 27 Governadores, Assembleias Legislativas, Congresso Nacional. Certamente, isso não ocorrerá. A crise é econômica (conjunção de forças do capital e inabilidade da presidente) e o que presenciamos é quase um voto de desconfiança ao estilo parlamentar.
Esses que agora falam em ética, ao vivo na televisão, sabem disso. A voz de famílias tradicionais que, desde 1500, desfrutam privilégios, justamente pela ausência de ética. Pobres índios, pobres enforcados nos movimentos da História. Há sempre esperança. Porém, esperança não combina com indiferença. Esperança não combina com passividade.
Um novo país se faz com educação, oportunidades, dignidade. O descompasso nessa tríade configura um distanciamento do sonho de um país justo. Observando-se a realidade nacional, difícil elencar qual das três pontas do tripé encontra-se mais distante.
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