Ao estudar a Ciência Política, o mais corriqueiro é a repetição
de que o Estado possui três elementos (povo, território, soberania) e de que a
sua finalidade é o bem comum.
Assim, Reinaldo Dias assevera:
“o Estado tem por fim último oferecer condições para que todas as
pessoas que integram a comunidade realizem seus desejos e aspirações, e para
tanto assegura a ordem, a justiça, o bem-estar e a paz externa, que são os
elementos necessários para que as outras necessidades públicas sejam atendidas”[1]
Citando-se Pedro Sabino de Farias Neto, há a mesma
impressão:
“Em função da competência instituída, os
poderes e funções do Estado são exercidos para a efetivação do bem comum. Os
poderes e as funções do Estado sucedem sob as modalidades pertinentes à atuação
legislativa, à atuação executiva e à atuação judiciária(...)”[2]
Nessa esteira, aduz Hélcio de Abreu Dallari Júnior[3]:
“Diante de cada momento histórico,
encontramos o Estado preocupado com questões próprias.
Na atualidade, temos a figura do estado
voltada para o atendimento do bem de todos os que forem parte componente dele
ou que com ele mantenham algum contato. O Estado existe porque assim determinou
seu povo. Essa determinação do povo só faz sentido desde que o Estado atenda
aos interesses desse povo, regulando e ordenando a vida em sociedade.”
Por conseguinte, para muitos, a finalidade do Estado é o
bem comum. Porém, deve-se também conhecer as correntes críticas, que divergem deste
senso comum.
Franz Oppenheimer situa a origem do Estado na violência
imposta por um grupo social a outro, definindo-o como a “instituição social que
um grupo impôs a um grupo vencido, com o objetivo de organizar o domínio do
primeiro sobre o segundo e resguardar-se contra rebeliões intestinas e
agressões estrangeiras”[4]
Consoante Karl Marx e Friedrich Engels o Estado é uma
instituição passageira, resultado da apropriação privada dos meios de produção.
Sob essa ótica, o Estado serve de instrumento de uma classe dominante, visando,
portanto, o interesse dos detentores do Capital.
Para fins de reflexão, citamos Alysson Leandro Mascaro, em
excelente Prefácio na obra de Camilo Onoda Caldas:
"Até hoje, muitos se
desincumbem das explicações sobre o Estado repetindo chavões tradicionais,
cujos argumentos são frágeis e mesmo absurdos. A mais utilizada dessas
definições diz que o Estado é o ´bem comum`. Mas basta que o leitor reflita
sobre o Estado no qual está inserido, como o Brasil ou qualquer outro. O ente
estatal não garante o bem comum, e os milhões de explorados, todos eles
cidadãos de um Estado, servem como prova disso. É preciso saber que, na
história, houve muitas definições tradicionais e insuficientes a respeito do
Estado, mas também é necessário dar um passo adiante, para entendê-lo de modo
mais profundo e apropriado" (MASCARO, Alysson Leandro. Prefácio. In:
CALDAS, Camilo Onoda. O Estado. 1 ed. São Paulo: Estudio Editores, 2014, 2014)
Portanto, como acadêmicos, fica o convite
para o pensamento acerca da finalidade do Estado. Afinal, seu fim é o bem comum?
Dependerá do ponto de vista, a discussão é bastante profunda, eis alguns
elementos para pensamento.
Excelente!
ResponderExcluirObrigado por postar e acompanhar o blog. Fico feliz por ter gostado do texto!!!
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